Hoje vi-te ao longe. Tão longe quanto a minha memória
alcança. Nem demasiado longe ou perto. Estás à distância perfeita da minha dor,
não fosse eu a vítima das tuas palavras e das minhas. Como sempre, lamento-me
por te ter estupidamente longe, já não sei descrever-te sem recorrer à
imaginação, creio teres um brilho maior quando falo de ti. Escrevo-te à imagem
da luz, da não inquietação e do que quero que sejas. Ficas tão bem no quadro
que pinto que vou pendura-lo sem preço ou assinatura. Aparentemente estás bem,
continuas com todo o amor do mundo para quem o queira receber e é isso que me rasga
o corpo. És a minha utopia e liberdade sonhada, tudo ao mesmo tempo. A energia
que me faz querer conquistar a casa. Tenho saudades de falar de ti, detalhar
cada pormenor teu a meus olhos, até conquistar o mundo para ti. Dá-me o escudo
e a espada que eu vou, por ti e por mim para lado nenhum. Exibirei o teu troféu
e vou deixar-me na tua prateleira, junto aos outros.
Sempre gostaste de exibir as tuas vitórias, aqui me entrego
então, não tenho roupa, isto porque sempre me pediste a entrega integral. Nunca
soube qual seria a tua lição de moral ao final do dia. Nunca me explicaste
nada, odeio que fiques pelas meias palavras, pelo meio amor e pelo meio querer.
Metes-me meio nojo.